quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

lágrimas do céu.

Era fim de tarde.
Me prostei diante da chuva que acabara de iniciar - no incio eram gotas acanhadas, mas não demorou muito, e já estavam muito mais assanhadas.
Eu não me sentia - eu já estava esquecendo de mim; já estava esquecendo do mundo.
Eu precisava sentir que as lágrimas dividas estavam sobre mim, e era como de algum modo, todas elas sugassem minha melancolia.
Era como se o céu se voltassem para mim - era como se voltassem contra todos os meus fantasmas; era como se fosse o meu único defensor.
Eu acabei nem percebendo, por quanto tempo me delicei nas lágrimas dividas que o céu me propos; não me preocupei, eu apenas deixei que as gotas gélidas massageassem calmamente - alguns brutalmente - minhas costas seminua.
Era como se o céu pudesse chorar por mim, o que eu já não conseguia chorar...
Choveu por horas e horas.. E eu sem cansaço algum, fiquei prostada por horas e horas...
Era como se todos as gotas estivessem ao meu favor.
Após algum tempo, as gotas - que estavam com dificuldade de penetrar minha nuca coberta dos meus cabelos longos - me aliviaram a alma.
O céu tinha lavado minha alma. Eu já podia me sentir.
Me levantei. Devagar, para a felicidade não ir embora.
Levantei meu rosto ao vento - ainda caiam goticulas sobre mim - e sorri. Há muito tempo eu precisava desse alivio.
Sorri porque foi a única forma que encontrei para agradecer aos céus a minha nova fonte de 'felicidade'. Afinal... em dias passados eu adorava ver a chuva cair, hoje, eu passei a sentir a chuva em mim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

decifra-me.

não há muito o que explicar ou entender; por isso, aproveite e me devore aos poucos.
sim, me devore!
sou muito mais simples do que imagina, mas gosto de mudanças, muito mais que o necessário.
posso sentir o sangue correr nas minhas veias; posso sentir o pulsar do meu coração; posso sentir o que eu quiser; sim - eu me entendo muito bem.
não paro. não penso. as vezes eu sou assim, me livro facilmente do jeito piscina. apenas escolho o 'não' para fazer parte do meu cotidiano.
deite e me devore. me sinta - eu já preciso disso há muito tempo.
não se espante - é excitante se sentir devorada - é como se tudo pudesse fazer sentido.
tenho os gostos mais estranhos, os apegos mais insanos e os pensamentos mais promíscuos. já não é tão charmoso esbanjar doçura.
decifra-me.
faça isso hoje, faça isso agora - é que amanhã talvez eu não seja mais a mesma.
nao se espante - a doce rotina de me decifrar, irá livrar você do tédio matinal.
apenas me decifre.
eu já preciso ser decifrada.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

o espelho da mulher.

Já era inicio de noite e ela se sentou do lado de fora da casa. Arrastou delicadamente, a cadeira que estava encostada no canto direito da longa área, que levava ao um simples quintal.
As horas passaram lentamente - era como se os ponteiros não estivessem nenhuma pressa, de chegar ao destino já premeditado - sim, eles insistiam em não importar que estavam ali para marcar as horas.
Passou o tempo ali. Sem nada para dizer - e para quem dizer -, permaneceu sentada. Começou a fazer joguinho de 'cruza' e 'descruza' as longas pernas, sim - isso já era sinal que a ansiedade estava mais presente do que a doce paciência, que regava a doçura da pequena mulher.
Se deliciava em si mesma.
Não havia pensamentos, não havia palavras, não havia motivos. Queria estar lá, sentada. E assim permaneceu.
A moça exalava tanta formosidade, que até as poucas e discretas estrelas passaram a inveja-la momentaneamente.
A lua estava lá... no alto do céu, longe de tudo. nem ao menos as estrelas, a acompanhavam de perto.. Até parecia que a fria lua, invejava secretamente a solidão da pequena senhoria.
Era tanto desatento, que a pequena formosura enxergou seu autorretrato após horas, horas e horas... Avistou-a de longe, até a sua análise para com a grande lua era de forma singela - não queria assustar com seus olhares - mas o reconhecimento foi instantâneo. Era tão estranho, olhar para o céu e observar que a lua mais parecia como um grande espelho...
A serenidade da mulher, logo se foi.
Era intrigante permanecer sob os olhos de algo extretamente grande e extremamente igual.. as semelhanças com a lua, a deixaram perturbada. As expressões suaves que eram quase permanentes, deram lugar para um semblante arruinado pela descoberta das grandes verdades.
As forças foram se perdendo em meio da tribulação da pequena mulher, o que tudo era puro e leve, transforam-se em dúvidas e enigmas. Afinal, como alguém seguro de si - com a fortaleza toda que possuia - estava tão parecida, com a primeira dama das noites?
Era como se todas as suas verdades, fossem sendo desvendadas..
Era como se a escuridão fosse tomando conta da solitária mulher.
Era como se a noite invadisse sorrateiramente a alma daquela que observava - admirava - a lua e se enxergava - de forma tão evidente - nela.
Com a mente há mil quilometros por hora, se levantou devadar - já não sentia mais as pernas - e se arrastou para dentro, se jogando na cama quente que ali a esperava pacientemente todos os dias.
As horas se passaram e a mulher cerrou os olhos depois de lutar contra si mesma.
A noite já estava quase indo embora, e a escuridão da estranha noite , penetrou-se sobre a mulher, que há algumas horas era muito mais forte que a força da escuridão e muito menos só que a solitária lua.
Já não era mais a mesma. Era tão estranho olhar para o céu, e ver a lua como se fosse seu grande espelho...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

te quero

eu te quero para mim.
sim, mesmo que nada disso faça sentido; eu apenas te quero para mim. mesmo que seja um vício passageiro, uma paixão platônica, ou ainda, uma grande bobagem.
eu apenas te quero.
não sei quais são seus melhores sabores, suas melhores escolhas, seus melhores pensamentos, seus maiores amores.. não sei sobre nada disso, mas por incrível que pareça, isso tudo que antes eu julgava essencial, hoje já não me faz tanto sentido - passei a adorar os papos mirabolantes, as histórias passadas, os desejos revelados.
sim, mesmo que nada faça sentido hoje - ou que não faça nunca, - eu apenas adoro isso.
sou regada de espontaneidade; desprovida de pudor; e amiga eterna das minhas vontades, mas não se assuste, a minha oscilação é muito maior do que muitos apegos sentimentais.
eu quero poder descobrir suas verdades, ignorar suas mentiras e mergulhar em suas fantasias.
eu só te quero.
simples assim.
sem mais, sem menos.
sem profundidade e sem explicação.
simples.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

o vício de viciar.

preciso de boas novas.
sim, preciso de uma nova mania; e até mesmo, de um novo incomodo.
eu estou melhor; sou melhor. não preciso mais me saciar com a rotina maçante.
quero poder aumentar meus vícios; apaixonar pelo desconhecido e me jogar do precipício.
é..
eu até passei a me deliciar com os gostos mais azedos, e a adorar as palavras mais hostis.
sim, eu sou viciada em viciar.
e o melhor de tudo isso, é saber que meus vícios sabem sempre a boa hora para irem embora.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

a paciência que se foi.

não se espante, a minha falta de paciência é mais evidente do que o bom humor de alguns dias atrás.
não se incomode. não se irrite. seja indiferente;
afinal, a indiferença é muito melhor que um tapa na cara.
e eu, - as vezes - adoro sim, uns tapas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a boa solidão.

A solidão já não me assusta mais; então, por gentileza, me deixe só.
Os apegos estão sendo moldados; as fissuras limitadas e os beijos bem dados.
Me deixe viver; não me sufoque com essa 'ladainha' toda. Eu vivo e quero viver muito bem, obrigada.
Tenha seus desejos; tenha suas esquisitices. Tenha tudo que quiser, mas tenha tudo isso aí, longe de mim.
Não preciso de sua bondade e muito menos da sua compaixão; e eu me divirto sim com as suas maldades - transformo-as em sutil arrogância - que sinceramente, toda mulher necessita.
A inconstância tornou-se aliada - e francamente, eu adoro isso. Então, em dias chuvosos - os meus dias prediletos -, venha para mim e não se acanhe; deite ao meu lado; faça de mim o melhor da noite. mas me deixe só, logo; a solidão não me assusta mais e a inconstância é o mais doce mistério que eu adoro ter por perto.