sábado, 24 de abril de 2010

nos dias melhores

Minha ansiedade por dias melhores, já é evidente. Agora tenho minhas verdades, minhas bobagens e minhas malandragens; e de alguma forma, divertir por mim - e em mim-, é muito mais delicioso do que participar dos seus altos e baixos.
A felicidade já faz morada em meu sorriso ligeiramente aguçado pela malandragem recuperada há pouco tempo. E a velha rotina - que deixou saudade - vem congraçando gradativamente. Hoje eu me apego as minhas balbúrdias internas e me desvio das suas dúvidas externas.
As minhas milhares de transformações são deslubrantes e essenciais; hoje é inevitável não me sentir esplêndida pelas minhas imprevisibilidade. Não me apego com tanto fervor aos seus desejos supérfluo. Me contagio com as minhas vontades e realizo-as da forma mais abusada - que eu adoro.
Hoje estou em mim, mas se quiser posso estar - ainda hoje - sobre você, pois as minhas transformações nunca me deixam à desejar e a minha (ou sua) saudade, mesmo não sendo tão avassaladora, ainda sim me deixa com desejo de sentir muito mais da sua sensação que é tão boa quanto a passagem de uma leve brisa.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

as minhas noites.

Era mais uma noite calma e vivida.
Estava distante de mim - mais que o normal -, era como se eu pudesse estar em outro mundo, mesmo estando aqui. Eu estava distante de ti. Eu já podia até sentir uma 'pontinha' de saudade - que logo era preenchida pelas imaginações que me rodeavam a noite toda. Eu podia te visitar nas minhas noites solitárias; podia te ver deliciosamente acomodado em seus sonhos; podia até mesmo me deitar ao seu lado e te observar e sem ao menos perceber - te beijar delicadamente; e me entregar - inesperadamente. Voltei em mim. Estava cansada de imaginar as milhões de opções que não me foram dadas. Eu podia estar em você, sem ao menos eu perceber. E eu já não queria mais perceber nada daquilo que não era a sua verdade, que de alguma forma, não poderia ser ser a minha - verdade - também.
Eu me encantei pela noite.
Sim, eu fugi de mim - e de você -, e me enrosquei - de propósito - nas minhas noites.
Eu fugia de tudo que até alcancei demasiadamente o céu.
Comecei a brincar com as estrelas; eu já podia sentir seu brilho - característico - que me maravilhava e iluminava meu rosto; podia sentir a pequena estrela frágil e fria em minhas mãos, era algo estranho porém, encantador.
Eu podia tocar, tocar e tocar todas elas. Era tão real senti-las agarradas em meus dedos. Me maravilhei com o passatempo viciante, já não era possível ouvir nenhum ruído, - talvez nada iria arrancar a concentração da minha nova experiência - que passava a me deixar muito mais perspicaz.
As noites me deixaram muito mais provida de destreza, mas - estranhamente - eu ainda preferia minhas bobagens que beravam as minhas deliciosas malícias - que estranhamente me corrompiam - e eu adorava.

domingo, 18 de abril de 2010

Já me cansei.

Cansei das palavras repetidas e até mesmo das não ditas. Cansei das expectativas frustradas e das novidades passadas. Quero boas-novas.
Quero mais atitude, mais sentidos, novos temores, novos amores, novas dores, novas ilusões e tudo mais que puder ter de direito. Quero sofrer mais, rir mais, permanecer mais, estar mais e ficar muito mais.
Almejo novos ares. Aspiro novos recomeços.
Quero suas surpresas no meio da manhã, minhas fantasias no meio da tarde e poder realiza-los por toda noite. Quero amanhecer renovada.
Quero poder sentir suas mãos sobre minhas costas semi-nua, e sentir um afago - delicioso - sobre minhas pálpebras cerradas pela intensidade - momentânea. Me rendo aos seus charmes habituais.
Quero mudanças necessárias e permanências indispensáveis.
Quero estar sobre você sem ao menos notar o tempo, e me perder o tempo necessário para poder me encontrar. Quero prazeres inesperados; já me cansei dos atos planejados.
Cansei de permanecer em mim. Eu quero estar em você.
Cansei de ser fastidiosa; a minha audácia é muito mais deliciosa - ela me deixa ser o que eu quiser, quando eu quiser.
Eu posso ser o que você quiser. É só me dizer o que quer de mim, e eu serei para você.

sábado, 17 de abril de 2010

o vento

Tenho o poder do vento.
Entro na sua vida de forma serena como as brisas à beira-mar, ou então, de forma agitada como as noites de vendaval.
Saiba que de forma alguma trarei imensos estragos à você, afinal, a discrição é muito mais afrodisíaco quantos as demonstrações expressivas das milhares de expectativas.
Assim como vento, passo desapercebida ao seu lado. Assim como o vento, vou embora no silêncio e na serenidade que me foram concedidas meio à minha concisa vivência. Assim como o vento, levo os mistérios lançados ao ar; entre eles, levo as ilusões plantadas, as incertezas formadas e os desejos insaciáveis. Assim como o vento, vou embora, mas assim - como ele -, eu ainda volto - para sua vida - em forma de uma magnífica brisa ou em uma bela tempestade.
Sim, eu tenho o poder do vento. Eu sou o vento.
Eu tenho o poder do vento.
Eu sempre volto.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

minha intensidade.

Hoje, mais do que nunca, estou intensa.
Mesmo sem ter muito o que falar e sem muito o que pensar, eu só quero - e preciso - me sentir - te sentindo.
Mesmo que seja de forma cordial, é imprescindível que seja imensamente intenso.
Quero ser eu mesma. Quero os seus risos, quero os meus gritos, quero seus afagos e meus desgastos. Quero seus beijos, seus desejos e minhas dores. Quero abraços e fatos. Quero errar meus erros, acertar os seus acertos, experimentar suas vontades e contrariar meus gostos. Quero diversas opções e milhões de diversões. Quero me assegurar em mim e me prender em você. Quero sentir as emoções em mim. Quero iludir - se for obrigado - e desiludir - se tiver certeza. Quero ter o poder atravessar o mar sem me cansar, te desejar sem desanimar, ou até mesmo te beijar sem enjoar.
Eu apenas quero.
Eu quero que me veja em suas ideias distantes; que me reconheça - facilmente - em meio à multidão; que alcance - silenciosamente - meus sonhos noturnos, ou ainda, que adivinhe - sem hesitar - meus desejos repentinos.
Já não me importo com as malandragens e bobagens, eu me adequo facilmente aos meus - ou seus - desejos.
Eu quero. Eu preciso. Quero tudo o que eu puder ter. Quero tudo agora.
Sinto e preciso.
Quero apenas a possibilidade de querer, de ter e de desejar - e quero como nunca.
Quero tudo da forma mais intensa e sincera.

terça-feira, 13 de abril de 2010

as perdições.

O sol ainda não tinha aparecido naquela manhã. Era inevitável não tremer levemente, ao sentir o vento gélido, que ainda congelava aos poucos, o corpo da estranha mulher que se fascinava com o poder das águas.
Ainda com pouca roupa, e, com pouco de importância; a mulher se encontrava na solitária praia, que sempre a tinha como fiel companheira das manhãs.
Sem ao menos notar, andou durante horas na areia, que a recebia tão bem por todas as manhãs; era como se tudo ao seu redor se encaixasse perfeitamente à sua rotina.
Os pensamentos já estavam à mil, a beleza de todas as manhãs, já não estavam tão evidente; já era estranho não se encantar facilmente com a beleza ao seu redor.
Já estava fatigante a manhã, para a forte mulher, que sem se hesitar, se prostou impacientemente, tocando levemente a areia fofa - ainda pela chuva suave que caía na pequena cidade esquecida.
Era como se a sua velha conhecida, entendesse cada sentimento, cada suspiro, e cada lágrima que demasiadamente escorria pela face da magnífica mulher.
já estava evidente a exaustão de si e da solidão que há poucos dias, passou a lhe acompanhar diariamente.
Ainda com os olhos molhados, ergueu a cabeça ao horizonte - ainda distante e triste -, e pode enxergar - e sentir - com tamanha nitidez, as boas lembranças de um passado que ainda revivia constantemente. Era como nesses momentos de quimera, fosse tão evidente enxergar o velho olhar, que ainda a deixava cega; o velho perfume, que ainda a desnorteava; e todas sensações, que ainda as alucinavam. Era como se pudesse de alguma forma, sonhar acordada.
Era estranho sim, reviver o passado tão distante, em um presente tão próximo de si. Era como se pudesse sentir o passado enraizado em sua mente e em seu coração. Por um milésimo de segundos, a senhoria, ainda pudesse sentir a verdadeira felicidade. E ainda em outros segundos, a realidade - forçadamente - fazia seu papel; e subitamente levava - com agilidade impressionante - toda a felicidade momentanea, que ainda procriava na madura mulher, que ainda não se acostumava com a própria solidão.
Em meio há tanta confusão, ainda podia - vagamente - deslumbrar-se com a antiga conhecida, que ainda estava ressaquiada pela agitação - fora do normal - da noite anterior. De algum modo, era como se as confidentes pudessem sentir - em seus próprios mundos - as mesmas coisas.
As ondas, por algum motivo, passou-lhe por um fascínio estranhamente viciante, onde já era percebido cada angustia, cada raiva, e por fim, cada solidão. Sim, é como se o mar coomeçasse a se comunicar - e sentir - a mulher solitária, que se prostrava em meio à imensidão, sem ao menos se notar que de alguma forma, era tão forte quanto o poder das águas, tão mansa quanto o poder das marés, e tão serena quanto o poder do luar, quando tudo se vai.
Já não havia mais sentido. Já não havia mais respostas. Como se a vida de uma, estivesse interligada à outra, como se os sentimentos fossem os mesmos, os desejos fossem os mesmos, e as iras fossem as mesmas.
Era confuso. Era estranho. Era sedutor.
O desejo invisível de se perder uma na outra, começara a ser evidente. Passava de ser simples desejo repentino, para um cobiça insaciável.
Então, lentamente a mulher se levantou e caminhou; não demorou muito e pode sentir a frieza das águas em seu tornozelo, e por motivo qualquer, não se importou; e ainda assim, continuou caminhando; sentiu a água subir rapidamente em seu corpo, a sensação de alívio era deslumbrante. Fechou os olhos. Já não sentia o alívio há muito tempo. Não se importou. Continou a caminhar.
Caminhou até desaparecer em meio à imensidão da sua velha companheira. É como se o pacto oculto fosse fatalmente concretizado.
Elas se perderam uma na outra. O alívio foi a maior conquista das estranhas amigas.

domingo, 11 de abril de 2010

se deixe.

não fique em silêncio.
é tão estranho tentar prever os seus melhores gostos e piores desgostos diários; não sou acostumada a meio de tantas incógnitas e indiferenças.
não se assuste; a minha espontaneidade é tão afrodisíaca, quanto, os meus milhares de beijos roubados.
se deixe levar. me faça te levar.
me deixe poder fazer suas vontades, realizar seus desejos, e desvendar suas emoções. não se prenda aos seus critérios impostos, ou, às suas regras traçadas.
se arrisque em mim.
te mostro - e comprovo -, que as improbabilidades, sempre podem nos levar em lugares extraordinários. sim, já é muito mais delicioso, se prostrar diante dos nossos próprios mistérios.
é deslumbrante poder saborear dos charmes lançados ao ar; dos bons joguinhos - indiretos - de seduzir; e, das boas risadas inexplicáveis.
fique onde está, não feche seus olhos para mim.
de alguma forma, eu ainda possuo o poder de oferecer tudo aquilo que você quer; então, me diga o que quer, e eu serei para você.
me surpreenda.
me encante se for preciso, e desencante se for obrigado - eu já não importo com os caminhos estranhamente forçados e sensatos.
me olha. me sinta. não faça sentido. não espere sentidos.
me deixe intrigada. mude minhas idéias. seduza minha alma.
traga-me tranquilidade quando se tornar preciso, e, desiquilibrio quando já for evidente.
sim, é magnífico poder levar ao canto da boca, o velho sorriso maroto, que aguça - sempre - a minha própria essencia.
não se assuste.
a hora de ir sempre é evidente.
por isso, não me mande embora;
eu sempre sei a hora de cair fora.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

não permaneça.

entre e deixe a porta aberta.
não mencione nenhum dos pensamentos obscuros, ou uns dos seus desejos irrelevantes. apenas entre e se deite ao meu lado; - deixe a porta aberta; afinal, eu já nem me importo mais com tanta coisa.
feche os olhos e tente sentir os meus anseios, que de alguma forma, são mais evidentes que meus pedidos - repetitivamente - rogados.
sinta-se a vontade.
me descubra quantas vezes forem necessárias, e, se perca em mim, quantas vezes achar necessário.
se abra, me encontre, se adeque. faça de mim a sua descoberta; faça de mim a sua perdição. se entregue! se renda desvairadamente aos meus desejos.
sinta a minha essencia. provoque meu desiquilibrio - já não é tão bom prover de pureza.
faça de um minuto, uma eternidade.
me decifre. me faça ser sua. - mesmo que seja por um vão momento, - eu me rendo.
deixe que o céu encontre a noite lá fora, fique aqui, mas não permaneça ao meu lado.
quando se for, vá ainda no silêncio da madrugada - assim, não terás que me acordar para a sua realidade.
deixe-me estar. é assim que quero ficar.
a delícia de estar, é muito mais excitante, do que as minhas melhores formas abusadas - de permanecer.