domingo, 2 de janeiro de 2011

novas chuvas.

já faz um tempo que eu estava assim: sem muita esperança e sem todas aquelas minhas verdades diárias; que de alguma forma me tiravam um par de risadas maliciosas e algumas paqueras saborosas.
é.. era como se não houvesse mais tanta doçura em minha alma ou até mesmo tanta bondade em minhas mãos. sem ao menos perceber, eu acabei me mudando.. de mim.
ser óbvia e sensata, já não me deixa tão á vontade. minhas manias de grosseria e indelicadeza passaram a ser o escudo de mim - e de você; e sem ao menos notar, acabei me perdendo do mundo. de mim. e de você.
me resguardei em doses diárias de álcool - que aliviaram sim, - a angústia que consumia e me tornava mais patética.
sim.. tudo passou a ser estranho. bizarro. fascinante. viciante. e meu. somente meu!
a paixão não alcançada. o beijo não roubado. a mensagem não enviada.. tudo isso me fez acreditar que de alguma forma, não ir além vale mais a pena do que sofrer em vão. estar em vão e ser em vão.
as promessas tão feitas durantes meses, foram quebradas; os beijos se tornaram amargos. os abraços ficaram pesados. e tudo aquilo que não fazia - muito - sentido; hoje passou a ter um cinzento sentido.
as ironias e as ilusões se tornaram mais sólidas; e de alguma forma, já estava na hora de seguir em frente.. mesmo que fosse mais difícil que permanecer nas irreais vontades.
sentir a felicidade - voltando - aos poucos, me faz acreditar que após longas tempestades, o sol sempre se faz presente. e ainda, me dá força para crer que as supostas tempestades que ainda irão se formar, não passam de uma chuva de verão. que não tem hora. não tem força. não permanece. e também não deixa.. algum sentimento.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

eu me vou.

cruzei as pernas e esperei.
esperei o tempo passar e levar todos os momentos. pensamentos. sentimentos e sensações.
não importa como ou quando, eu apenas desejava - como nunca -, que tudo aquilo passasse.
já não era nada como antes.
as dúvidas tomaram conta da vontade - extrema - de permanecer ao seu lado.
não tinha mais motivo ou razão; afinal, nada era como antes.
as promessas não foram cumpridas. os desejos não foram atendidos. as verdades foram alternadas.
tudo se foi. tudo se perdeu.
nada do que permaneceu, era como antes.
as músicas se tornaram mudas. as palavras doces se tornaram amargas. as verdades - rapidamente - se transformaram em ilusões.
descruzo minhas pernas e levanto.
fujo. sigo. grito. me escondo.
deixo o tempo passar entre minhas mãos - que em um milésimo de segundo - tenta te agarrar de forma triste e sincera.
eu me vou.
volto para buscar minhas bobagens lançadas. minhas estradas traçadas. minhas alegrias insensatas e minha paz almejada.
eu me vou.
antes que não possa mais alcançar a felicidade - que achei estar aí - com você.
eu simplesmente, vou.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

nada em vão.

ventava mais que o normal mas ainda sim, era fácil sentir o calor - irritante - da cidade em plena madrugada sufocante.
sem muito esforço, passei meus olhos diante das bobagens vivenciadas nos últimos meses e pude sentir - claramente e estranhamente - uma certa agitação.
realmente, nada foi em vão.
nenhum gesto. nenhuma palavra. nenhum desejo. nenhum olhar. nenhum sorriso.
tudo foi - deliciosamente - necessário.
até as intrigas - forçadas a surgir - acabaram me tirando um belo sorriso em meio aos turbilhões de pensamentos.
fiquei sentindo por horas meus cabelos dançando em meio ao vento, e não me cansei de lembrar - e vivenciar - cada sensação experimentada.
me entreguei. me rendi. e nada disso realmente foi em vão.
mesmo que o tempo ainda conclua sua missão, acredite: nada vai mudar.
e mais ainda, nada irá mudar as boas coisas que foram feitas, ditas e pensadas.
é intrigante te sentir ir embora aos poucos. é confuso. é estranho. é insano. mas talvez.. necessário.
te querer já não é tão fácil quanto parece.
seja o que for, talvez nada mais se faça necessário.
sem motivo algum, ainda sim, é demasiadamente relevante sentir que meus braços já não podem mais te alcançar; que meus beijos não podem mais te agradar e meu olhar - definitivamente - não podem mais te impressionar.
é certo que nada irá mudar mas nada se fará vão.
nada disso será em vão.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

para não doer.

não deveria mas de alguma forma - dói.
é espantoso, mas as verdades - sem esforço algum - escorregam entre meus lábios - ou até mesmo - lambem meus dedos em meio as confissões momentâneas - que realmente são levadas à sério.
dói. mas necessariamente, passam.
não haver opções de escolher caminhos diferentes do que - forçamente - me foram traçados, é sufocadamente angustiante.
sim, é como se meus olhos fossem vendados por um desconhecido; minha boca tapada pelas razões irracionais lançadas ao vento, e a minha voz calada pela ignorância das palavras duramente dirigidas.
a paciência não se porta mais no meu corpo - que recentemente foi moldado pela enxurrada das alterações dos diversos humores lançados diariamente; de alguma forma, o velho equilíbrio que me fazia enxergar o mundo - me cegou.
fiquei cega pelas vontades que passaram a cobrir meus desejos.
me fechei para você, para não te perder de mim. mas de alguma forma, te perdi de mim.
os entendimentos passaram a ser quebrados pelas bobagens imaginadas, ouvidas e vivenciadas.
sou provida de incertezas e um humor muito mais que aguçado.
mas acredite, você não me conhece.
não sabe das minhas verdades e vontades.
sou mulher. sou tato. sou ato.
as minhas verdades hão de ser ditas;
as minhas realidades sempre vividas;
e ainda - mais do que nunca - todas as minhas coisas trazidas no coração, hão de ser esquecidas.
talvez assim, não doa mais.
que não doa!

sábado, 14 de agosto de 2010

necessário.

já não parece ser tão fácil me conter nas minhas próprias dores. chega a ser fácil escapar uma lágrima em meio à tarde fria e calma; já é fácil lembrar das risadas aleatórias; dos beijos dados e das mãos entrelaçadas em meio ao lençol amarrotado.
não é fácil.
a saudade bate mais forte que o coração, ainda gélido pelas bobagens vivenciadas.
não é fácil mas me faça valer a pena.
choro tudo que posso. sofro tudo que posso.
sei que em um dia qualquer, irei - verdadeiramente - perceber que sorrir sem motivo é a forma mais autêntica - e deliciosa - de se viver.
afinal, eu era assim há pouco tempo... e eu sei o verdadeiro sabor da felicidade.
é fato. sofrer em você; por você.. é a forma - grandiosa - de se alcançar a felicidade plena.
não tenha medo.
me deixe.
me sinta.
me tenha.
se acomode ao meu lado.
te mostrarei que mesmo não havendo estrelas nesta noite; não quer dizer que elas não existem - ou que ainda, não possam existir.
me deixe.
fique em silêncio e deixe que o tempo leve seus pensamentos, eleve sua alma e refresque sua mente.
tudo que acontecer, há de ser necessário.
nada se fará por mais - ou por menos.
tudo é necessário.
até mesmo a chuva que corta a tarde - deliciosamente - ensolarada;
até mesmo o vento que corta o silêncio que acalma a - minha ou sua - alma;
até mesmo as palavras lançadas;
até as dores esquecidas.
e as verdades mal interpretadas.
seque minhas lágrimas e me mostre tudo que possa ser necessário.
se faça necessário.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ser-te paz.

quero jogar tudo para o alto e poder gritar - sem medo - todas as minhas cobiças, todas as minhas bobagens e muitos dos meus caprichos.
rir quando for - mais - inconveniente e chorar quando não me conter de - tanta - alegria.
eu quero parar o tempo.
quero parar os pensamentos.
quero parar os desejos.
quero parar e deixar que tudo permaneça.
quero modificar as minhas inseguranças e permanecer sob as minhas fortalezas construídas no cotidiano.
quero mudar de mundo. quero poder entrar em seu mundo - até mesmo sem pedir licença.
quero poder me enraizar em seus pensamentos e adivinhar seus desejos.
quero fazer diferente e poder mostrar que o sol brilha - muito mais - após as - suas - tempestades.
e que - tudo - pode ser - muito - melhor - do que já imaginamos.
quero o tempo mais extenso; os pensamentos menos compadecido; os desejos mais providos de circunspecção.
eu me rendo ao meu querer. eu me rendo a você.
me abstenho - momentâneamente - das suas confusões internas que me desorienta excessivamente.
é irritante tentar te decifrar ao decorrer do dia-a-dia; é exaustivo imaginar as milhares de opcões que não me foram dadas mas que prematuramente são retiradas.
é intrigante te imaginar muito mais do que poder te tocar.
chega a ser um vício.
é desejo. é fato. é ato.
mas não se atemorize, pois agora será - ou terás - somente o necessário.
ser-te-ei paz.
nada mais e nada menos.
apenas te deixarei para a sua paz.
em paz.

sábado, 24 de julho de 2010

a distância do meu relógio

a distância se fez.
me perdi de você, sem ao menos ter uma chance de me reencontrar em mim.
não tive escolhas. ninguém poderia viver - ou sentir -, por mim.
me refiz; me moldei.
passei a me moldar diante das noites solitárias; as estrelas lançaram sobre mim, a poeira - gélida - da solidão. agora estou mais fria que o necessário e muito mais distante para se alcançar; - nem as mãos que um dia tentaram alcançar o céu, puderam me agarrar no chão.
me desfiz. me perdi.
eu me perdi de você sem ao menos notar que - sinceramente - era necessário.
agora sinto a minha liberdade conquistada pelos meus pés; agora sinto a felicidade estampadas em meus olhos. de alguma forma, eu já não me encaixo nos seus desejos. não faço parte dos nossos planos.
eu já nem me importo.
o relógio não se faz. é estranho observar o tempo voltando sem ao menos pedir licença. é estranho sentir a brisa que antes eu daria tudo para sentir - mas, hoje - sinceramente - eu não sinto nada.
o mundo se desfaz. o relógio se desfaz.
não tenho medo.
me moldar passou ser viciante.
meu querer mudou. preciso me moldar naquele que não importou com o passar do relógio, e nem ao menos, com a leve brisa que há pouco tempo assanhava meus cabelos.